Lee Iacocca (1924-2019): “As boas ideias e as boas iniciativas vêm de baixo.”

Um dos maiores executivos de todos os tempos faleceu ontem aos 94 anos. Lee Iacocca morreu por complicações da doença de Parkinson em sua casa em Bel Air. O famoso executivo de automóveis norte-americano é mais conhecido pelo desenvolvimento do Ford Mustang e por conseguir reerguer a Chrysler na década de 1980. Iacocca foi presidente e CEO da Chrysler de 1978 até sua aposentadoria em 1992.

Filho de imigrantes italianos, Iacocca nasceu em 15 de outubro de 1924 em Allentown, Pensilvânia. Formou-se com honras em engenharia industrial e entrou para a Ford Motor Company em agosto de 1946. Após um breve período na área de engenharia, Lee pediu para ser transferido para vendas e marketing, onde sua carreira prosperou.

Enquanto trabalhava no distrito de Filadélfia como assistente de gerente de vendas, Iacocca ganhou reconhecimento nacional com sua campanha “56 for ’56”, oferecendo empréstimos em carros modelo 1956 com pagamento de 20% e US$ 56 mensais por três anos. Com o sucesso desta campanha e de outras iniciativas Iacocca subiu vertiginosamente na empresa. Foi promovido a vice-presidente e gerente geral da Divisão Ford; depois, vice-presidente da divisão de carros em caminhões Ford; vice-presidente executivo; e em dezembro de 1970 tornou-se presidente da companhia.

Na Ford, Iacocca participou de vários projetos de sucesso como: o Ford Mustang, o Continental Mark III, o Ford Escort e o ressurgimento da marca Mercury no final dos anos 1960, incluindo a introdução do Mercury Cougar e Mercury Marquis.

Ford Mustang
Segunda Geração do Ford Mustang

Iacocca foi demitido em julho de 1978 embora a Ford Motor Company tenha registrado um lucro de US$ 2 bilhões naquele ano. É dito que a principal razão de sua demissão foi o conflito com Henry Ford II, neto do fundador da empresa.

Também é apontada que a demissão de Iacocca ocorreu pelos problemas causados pelo Ford Pinto. Em 1977, houve alegações de que o projeto estrutural do Pinto permitia que o gargalo do tanque de combustível se quebrasse e que o tanque de combustível fosse perfurado em uma colisão traseira, resultando em incêndios mortais. Em 1978, todos os Pintos de 1971 a 1976 foram recolhidos e tinham blindagens de segurança e reforços instalados para proteger o tanque de combustível. Esse se tornou um exemplo de mau custo-benefício em cursos de engenharia.

O Ford Pinto chegou a ser cogitado para ser fabricado no Brasil nos anos 1970, mas sua produção foi cancelada devido aos altos custos de adaptação da linha de montagem para a produção no país. Certamente, ele viria para o Brasil com outro nome por motivos óbvios. A empresa nomeou o carro com este nome em homenagem a uma raça de cavalos chamada “Pinto”, assim como o Mustang, que é uma homenagem à raça de cavalos norte-americanos mustangue.

O interessante é que o projeto Pinto nasceu justamente de uma visão de Iacocca de veículos produzidos internamente, mas que fossem pequenos e eficientes. Um conceito que virou tendência nas décadas seguintes.

Ford Pinto
Ford Pinto

Iacocca foi nomeado o 18º maior CEO norte-americano de todos os tempos pelo site Portfolio.com. Curiosamente, o número um da lista foi Henry Ford.

Iacocca juntou-se à Chrysler e começou a reconstruir toda a empresa a partir do zero e trouxe muitos associados de sua antiga empresa. Iacocca utilizou as ideias que não foram aprovadas pela Ford na Chrysler, como a plataforma K-car e as minivans. A Chrysler recuperou-se após uma grave crise que quase levou a empresa à falência. Iacocca se aposentou como presidente, CEO e presidente da Chrysler no final de 1992.

Além do ramo automobilístico, Iacocca também participou de outros negócios nos setores imobiliário, bancário, entretenimento e alimentação. Em maio de 1982, Iacocca foi nomeado pelo então presidente Ronald Reagan para liderar a instituição de arrecadação de fundos para restaurar da Estátua da Liberdade e a renovação da ilha de Ellis. Iacocca continuou conselho da fundação até a sua morte.

O empresário também foi coautor de um best-seller que é leitura obrigatória para todos que amam o mundo dos negócios. Em 1984, Iacocca e o escritor William Novak lançaram “Iacocca: Uma Biografia”. A capa do livro causou bastante controvérsia na época por mostrar o próprio Iacocca numa pose relaxada em sua sala; quase um arquétipo do patrão preguiçoso, uma ideia bem diferente de sua própria biografia. Iacocca também foi coautor dos livros “Falando Francamente” com Sonny Kleinfeld, lançado em 1988; e “Lee Iacocca. Cadê Os Líderes?” com Catherine Whitney, lançado em 2007.

Após a morte de sua esposa por consequência de diabetes em 1983, ele se tornou um defensor ativo da pesquisa para a doença. Tanto que Lee doou sua parte das vendas de seu best-seller para pesquisas sobre a diabetes. Iacocca também participou de organizações para doações de pesquisa para a diabetes, incentivo a instituições de educação e alimentação saudável. Lee Iacocca casou-se três vezes. Teve duas filhas com a primeira esposa e esteve divorciado desde 1994.

Lee Iacocca e o ex-presidente dos EUA Bill Clinton
Lee Iacocca e o ex-presidente dos EUA Bill Clinton

Uma curiosidade é que Iacocca participou de um episódio da série Miami Vice em 1986 (“Sons and Lovers” – Episódio 22 da segunda temporada). Ele interpretou um personagem chamado Comissário Lido, seu nome de nascença, que foi trocado por Lee pelo próprio Iacocca na vida real.

Lee Iacocca deixa como legado lições para empreendedores como suas frases que se tornaram famosas para refletir:

“A competitividade de um país não começa nas indústrias ou nos laboratórios de engenharia. Ela começa na sala de aula.”

“Para resolver grandes problemas, você deve estar disposto a fazer coisas que desagradam.”

“Aqui estou eu no crepúsculo de minha vida, e me perguntando o que significa tudo isso… Posso lhe dizer que fama e fortuna são para os pássaros.”

“As boas ideias e as boas iniciativas vêm de baixo.”

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